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Rondônia atinge marca alarmante de 42 mil casos de violência feminina em dez anos

Dados revelados em congresso mostram que o estado supera médias nacionais em crimes de estupro e lesão corporal contra mulheres, com índices críticos na Amazônia.

Redação NoticiasAqui·
Rondônia atinge marca alarmante de 42 mil casos de violência feminina em dez anos

Rondônia enfrenta uma crise de segurança pública voltada ao público feminino, acumulando 42 mil registros criminais dessa natureza em menos de uma década. Estatísticas detalhadas apontam que a taxa de homicídios de mulheres no estado chega a 5,2 por 100 mil habitantes, patamar que supera em mais de duas vezes a média global. O cenário local coloca o estado em uma posição de desvantagem crítica em relação ao restante do Brasil, especialmente no que tange à integridade física das cidadãs.

No quesito violência sexual, a realidade é ainda mais severa. Rondônia registra uma taxa de 172,2 estupros para cada 100 mil mulheres, número que é quase o triplo da média nacional, fixada em 68,7. Municípios como Porto Velho, Ariquemes e Vilhena figuram negativamente entre as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes que possuem os maiores índices deste tipo de crime, com mais de 8 mil vítimas contabilizadas entre 2019 e 2024.

A vulnerabilidade infanto-juvenil é um dos pontos mais sensíveis do levantamento. Cerca de 55% das vítimas de violência sexual no estado são meninas com menos de 14 anos, e 75% ainda não completaram a maioridade. Um dado alarmante aponta que Rondônia lidera o percentual nacional de violência sexual contra crianças na faixa de 0 a 5 anos. Em 70% das ocorrências, o agressor é uma pessoa conhecida, sendo que figuras paternas aparecem com frequência superior a companheiros no histórico de abusos.

A análise do contexto educacional sugere que a instabilidade escolar, como o abandono ou atraso no ensino fundamental e médio, está diretamente ligada ao aumento do risco de vitimização. Defende-se que as instituições de ensino ocupem um papel central na rede de proteção, servindo como ponto de intervenção direta do poder público. Por outro lado, a estrutura de repressão enfrenta dificuldades, com uma redução de aproximadamente 30% no quadro funcional da Polícia Civil local.

Para o Ministério Público de Rondônia, o aumento dos registros também reflete atualizações legislativas que ampliaram o conceito de violência contra a mulher, permitindo que mais casos sejam formalizados. No entanto, o enfrentamento do problema exige uma resposta que considere as desigualdades de gênero profundas e as barreiras geográficas da região amazônica, além de uma melhor gestão de recursos para o sistema de segurança.

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