Milhares de famílias residentes em áreas remotas de Rondônia enfrentam o risco iminente de desabastecimento total de energia elétrica. Uma ação civil pública, movida pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual, busca evitar que o serviço entre em colapso definitivo, afetando diretamente cerca de 9,3 mil moradores de comunidades ribeirinhas, quilombolas e distritos rurais.
A instabilidade no fornecimento já impacta duramente o cotidiano dessas regiões. Relatos indicam que escolas precisaram suspender as atividades letivas e postos de saúde foram obrigados a interromper atendimentos médicos e campanhas de imunização. O problema central reside na crise financeira da empresa Brasil BioFuels (BBF), que acumula dívidas superiores a R$ 775 milhões, dificultando a manutenção das termelétricas e o pagamento de fornecedores.
Diante da gravidade da situação, a Justiça foi provocada para que a concessão da empresa seja extinta nessas localidades. A intenção é que um novo operador assuma o sistema de forma definitiva após nova licitação. Enquanto isso, a concessionária Energisa Rondônia assumiu emergencialmente, por orientação regulatória, a operação de 12 usinas para tentar estabilizar o fornecimento local.
A ação judicial também foca na responsabilidade de órgãos reguladores e da União, apontando que o problema já era monitorado há tempos, mas faltaram providências eficazes para impedir o agravamento. Além da regularização imediata do serviço, os órgãos de controle pedem uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos, com foco em financiar projetos nas áreas mais prejudicadas.
As cidades afetadas incluem distritos de Porto Velho, Guajará-Mirim, São Francisco do Guaporé, Presidente Médici e Pimenta Bueno. O objetivo final das autoridades é que essas comunidades sejam futuramente integradas ao Sistema Interligado Nacional ou beneficiadas por fontes de energia mais sustentáveis e confiáveis, eliminando a dependência exclusiva das termelétricas em colapso.
